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Michael Jackson: a vida no reino mágico - Revista Rolling Stone 1983

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Michael Jackson: a vida no reino mágico - Revista Rolling Stone 1983

Mensagem por Butterflies em Sab Jan 17, 2009 11:01 am

Rolling Stone, 17 de fevereiro de 1983

É meio-dia, e em algum lugar do Vale de São Fernando as sombras de uma fileira de condomínios suavizam-se contra o resplendor nevoento. Através do portão de metal, o quintal está em silêncio, exceto pelo som distante de um chafariz contra seu vaso plástico. Então surge o lamento deprimente de uma legítima menina do Vale: "Vovó, eu não vou andar uma quadra inteira. Está úmido. Meu cabelo ficará arrepiado." E vem o rápido contraponto de um encorajamento materno: "Seja uma menina boazinha, Jolie. Vá pela mamãe."

Pelo enfeitado caminho secreto, poodles em coleiras cor-de-rosa rebolam puxados por suas donas. "Não era o que você esperava, né?" Por trás de uma máscara de dedos magros, Michael Jackson dá risadinhas. Tendo acomodado seu visitante no piso médio de seu condomínio triplex próprio, Michael explica que a residência é temporária, enquanto sua casa de Encino, na Califórnia, passa por reformas. Ele admite que este é um local improvável pra um jovem príncipe do pop.

É também surpreendente ver que Michael decidiu encarar esta entrevista sozinho. Ele disse que não faz nada assim há mais de dois anos. E mesmo quando fez, era sempre com supervisores ou com outros irmãos Jackson e, em um caso, com sua irmã mais nova, Janet, repetindo as perguntas do jornalista antes de Michael respondê-las. O pequeno corpo da literatura existente retrata-o como dolorosamente tímido. Ele se esquiva, esconde-se, fala olhando para baixo; ou simplesmente não faz revelações. Ele é conhecido por transmitir sua vida privada com uma cautela quase obsessiva, "como um hemofílico que não pode ser arranhado de jeito nenhum." A analogia é dele.

Ponha isto junto às grandezas e sucessos que não fará diferença. Ele é o destacado artista com os Jackson Five desde o jardim da infância. Em 1980, ele deixou os Jacksons para gravar seu próprio LP, Off The Wall, que se tornou o álbum mais vendido daquele ano. Thriller, seu novo álbum, é número 5 dos charts. E a lista de celebridades trabalhando com ele agora - ou querendo - inclui Paul McCartney, Quincy Jones, Steven Spielberg, Diana Ross, Queen e Jane Fonda. Seja em discos, no palco, na TV ou cinema , Michael Jackson não tem qualquer problema em se exibir. Nada o assusta, ele diz, exceto isto...

"Você gosta de fazer isto?", Michael pergunta. Há um tom de incredulidade em sua voz, como se estivesse fazendo a pergunta de um juiz investigador. Ele está curvado numa cadeira da sala de jantar, olhando para baixo, na direção do piso inferior da sala de estar, que está cheia de esculturas. Há algumas bonitas, protótipos em bronze greco-romanas, bem como algumas peças da escola suburbana. As imagens estão congeladas ao redor do sofá, como numa festa de fantasmas.

O próprio Michael está tendo pouco êxito sentado. Ele está tão nervoso que está comendo - já terminando - um pacote de batatas fritas. Isto é um comportamento de fato estranho. Nenhum de seus irmãos se recorda de ter visto qualquer petisco passar por seus lábios desde que ele se tornou um rigoroso vegetariano discípulo de comida saudável há seis anos atrás. De fato, Katherine Jackson, sua mãe, preocupa-se por Michael parecer viver quase que de ar. Pelo que ela sabe, seu filho não se interessa por comida. Ele diz que se não tivesse que comer para ficar vivo, não comeria.

Eu realmente odeio fazer isto, ele diz. Ao ter terminado com as batatas fritas, ele começou a dobrar e redobrar um recorte de jornal. "Eu fico muito mais relaxado no palco do que estou agora. Mas vamos lá." Ele sorri. Mais tarde, ele explica que "vamos lá" é o que seu guarda-costas sempre diz quando estão prestes a enfrentar um motim público. É também uma frase que ele tem escutado desde que era grande o bastante para amarrar seus próprios sapatos.

"VAMOS LÁ, GAROTOS". Com isto, Joe Jackson comandava seus filhos Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael. "Vamos lá" tem ressoado das agitações pré-show dos irmãos há mais de três quartos da vida de Michael; primeiro com os Jackson Five, na Motown, e agora com os Jacksons, na Epic. Michael e os Jacksons já venderam mais de 100 milhões de discos. Seis dos vinte e quatro singles pela Motown foram de platina; dez foram de ouro. Ele tinham apenas onze anos em 1970, quando seu primeiro hit, I Want You Back, desbancou Raindrops Keep Fallin' On My Head, de B.J. Thomas, como número um.

Michael diz que quando tinha cinco anos, quando cantou Climb Ev'ry Mountain na escola e no lado de fora de sua casa, sabia que algo de especial estava acontecendo. Na época, tal precocidade assustava sua mãe. Mas, anos mais tarde, serviu para aumentar os corações e os cofres junto a Epic, quando Off The Wall vendeu mais de 5 milhões de cópias nos Estados Unidos e mais 2 milhões pelo mundo, e um de seus singles, Don't Stop 'Til You Get Enough, deu-lhe um Grammy. O disco obteve quatro Top 10 na parada de singles, um recorde para um artista solo e uma proeza alcançada apenas por Fleetwood Mac's Rumours, e pelas façanhas unidas das trilhas sonoras de Grease e Saturday Night Fever.

Se uma gravadora nervosa ousasse apostar, o investimento seria em Michael Jackson. Por meses recentes encontramos Michael trabalhando em não menos do que três projetos: seu recém-lançado Thriller; o trabalho ainda em andamento com Paul McCartney, que conterá duas parcerias Jackson/McCartney, Say, Say, Say e The Man; e a narração e uma música para a estória em disco de E.T. pela MCA, com Steven Spielberg como diretor e Quincy Jones como produtor. Em seu tempo extra, ele escreveu e produziu Muscles, single de Diana Ross. Isso é sem duvida um homem jovem com pressa. Ele já está de olho no álbum agendado a fazer com os Jacksons neste inverno. Há uma chance de uma turnê na primavera. E também há os filmes. Desde seu papel como espantalho em The Wiz, seu quarto está apinhado em roteiros.

Aos 24 anos, Michael Jackson tem um pé plantado firmemente em cada face dos anos 80. Seus sucessos de infância já são do passado, e seus ídolos de adolescência tornaram-se seus rivais. Michael tinha apenas dez anos quando se mudou para a casa de Hollywood de Diana Ross. Agora ele é seu produtor. Ele tinha cinco anos quando os Beatles surgiram, hoje ele e McCartney disputam a mesma garota no single de Michael The Girl Is Mine. Seus amigos do showbiz também são de diferentes gerações. Ele se encontra com outras celebridades infantis como Tatum O'Neal e Kristy MaNichol, e o ex-astro infantil Steve Wonder. Ele fofoca à longa distância com Adam Ant e Liza Minnelli, e tem confidências com o octogenário Fred Astaire. Quando ele visitou o set de On Golden Pond, Henry Fonda atiçou-lhe com revistas masculinas. Jane Fonda está ajudando-o a aprender a atuar. Sua amiga Katharine Hepburn quebrou o antigo hábito de evitar rock ao ir a um show dos Jacksons no Madson Square Garden, em 1981.

Até mesmo E.T. se encantaria com um espírito tão dócil. Stevem Spielberg diz que disse a Michael: "Se E.T. não tivesse ido à casa de Elliot, teria ido à sua." Spielberg também diz que não pensou em mais ninguém para narrar a saga de seu tímido extraterreste. "Michael é um dos últimos inocentes vivos que tem completo controle de sua vida. Eu nunca vi ninguém como Michael. Ele é um astro infantil emocionante."

Desenhos reluzem silenciosamente através da tela gigante que irradia o cômodo escuro. Michael diz que ama desenhos animados. De fato, ele ama tudo "mágico", e esta definição é ampla o bastante para incluir desde Bambi a James Brown. "Ele é tão mágico", Michael diz sobre Brown, admitindo ter seguido seu próprio modelo de coreografia pelos clássicos movimentos no palco do mestre. "Eu vivia nos bastidores quando tinha seis ou sete anos. Eu sentava lá e assistia-lhe."

O jardim de infância de Michael foi o porão do Teatro Apollo, no Harlem. Ele era muito tímido para se aproximar dos músicos que os Jackson Five abriam - todos, de Jackie Wilson a Gladys Knight, os Temptations e Etta James. Mas ele diz que queria saber tudo que eles faziam - como James Brown conseguia deslizar, girar e sentar no chão e ainda voltar antes do microfone cair no chão; como o microfone desaparecia pelo chão do palco do Apollo. Ele se rastejava até o andar de baixo, pelos corredores e paredes e escondia-se lá, observando de trás das alas empoeiradas de velhos sets de espetáculos enquanto músicos se afinavam, fumavam, jogavam cartas e dividiam churrasco. Subindo de volta aos bastidores, ele ficava nas pregas protetoras da cortina marrom mofada, assistindo às suas apresentações favoritas, envolvendo-se com cada mergulho e cada impacto, cada estalo e lance de microfone para seu inventário de movimentos noturnos. Recentemente, durante um curso de recapitulação, Michael foi ver James Brown se apresentar num clube de Los Angeles. "Ele é o mais elétrico. Ele consegue levar o público a qualquer lugar que ele queira. O público vai à loucura. Ele fica maluco - e naquela idade. Ele sai de si."

Sair de si é um tema recorrente na vida de Michael, seja em termos de dança, música ou atuação. Como uma Testemunha de Jeová, Michael acredita num holocausto iminente, que será seguido pela segunda vinda de Cristo. A religião é uma grande porção de sua vida, exigindo intenso estudo da Bíblia e visitas três vezes por semana a um Salão do Reino próximo. Ele nunca tocou em drogas e raramente chega perto de álcool. Todavia, apesar do Armagedon profetizado, o espírito não é tão duro para impedir freqüentes viagens no trem da fantasia.

"Eu sou um colecionador de desenhos animados", ele diz. "Todo o material Disney, Pernalonga, os velhos MGM. Eu só conheci uma única pessoa que tem uma coleção maior que a minha, e fiquei surpreso: Paul MacCartney. Ele é fanático por desenho animado. Sempre que vou à casa dele, assistimos a desenhos. Quando viemos aqui para trabalhar no meu álbum, alugamos todos esses desenhos do estúdio, Dumbo e mais alguns outros. É um escapismo real. É como se tudo estivesse bem. É como se o mundo estivesse existindo agora em uma cidade distante. Tudo fica bem."

"Da primeira vez que vi E.T., eu me derreti o filme inteiro", ele diz. "Da segunda vez, eu chorei feito doido. E depois, fazendo a narração, eu me senti como se estivesse lá com eles, como que por detrás de uma árvore ou qualquer coisa, observando tudo o que acontecia."

Tamanho foi o envolvimento emocional de Michael que Steven Spielberg encontrou seu narrador chorando na escuridão do estúdio quando ele chegou à parte em que E.T. está morrendo. Por fim, Spielberg e o produtor Quincy Jones decidiram prosseguir assim e deixar a voz de Michael romper-se. Lutar contra os sentimentos seria antiprodutivo - coisa que Jones já havia aprendido enquanto produzia Off The Wall.

"Eu tinha uma música que havia guardado para Michael chamada She's Out Of My Life, ele relembra. "Michael a ouviu e gostou. Mas quando ele a cantava, começava a chorar. Toda vez que tentávamos, eu olhava o final e Michael estava chorando. Eu disse: 'Nós voltaremos em duas semana e faremos de novo, e talvez você não ficará tão emocionado.' Nós voltamos e ele começava a chorar. Então deixamos assim mesmo."

Essa batalha entre o profissional controlado e o Michael vulnerável e reservado, vem à tona nas letras que ele escreve para si mesmo. Em Bless His Soul, uma música do disco Destiny dos Jacksons que Michael diz ser definitivamente sobre si, ele canta:

"Às vezes choro porque fico confuso
Será que estou sendo usado?
Não existe vida alguma para mim
Porque eu me entrego às ordens."

Duas passagens das composições de Jackson em Thriller apóiam essa posição defensiva. "Eles te comem, você é um vegetal", ele grita em Wanna Be Startin' Somethin". Em Beat It, numa passagem de dança tensa e forte, chega a ser paranóia: "Você tem que mostrar para eles que realmente não está com medo/ Você está brincando com sua vida, e isto não é verdade ou desafio/ Eles vão chutar você, bater em você/ E depois eles lhe dirão que é justo."

Sim, ele diz, ele se sente usado, esquivando-se de pontos específicos, dizendo apenas que em sua profissão, "eles reclamam disso, e querem que você faça aquilo. Acham que eles são seus donos, pensam que eles fabricaram você. Se você não tiver fé, vai à loucura. Como não dar entrevistas. Se eu falar, digo o que vem à minha cabeça, e pode parecer estranho para os ouvidos das outras pessoas. Sou o tipo de pessoa que contarei tudo, mesmo sendo um segredo. E eu sei que algumas coisas devem ser privadas."

Para sua própria proteção, Michael tem se armado de uma série de comportas emocionais, criado situações onde não há problema em se expor totalmente. "Algumas circunstâncias exigem que eu fique realmente quieto", ele diz. "Mas todo domingo eu danço." Nesse dia, ele também jejua.

Isto, sua mãe confirma, é um ritual semanal que deixa seu filho gasto, suando, rindo e chorando. É também um ritual muito similar às performances de Michael. De fato, o peso do palco de Jackson descansa pesadamente em seus ombros estreitos e enfeitados com lantejoulas. Não há nada de experimental em seus giros solos. Ele pode fazer seu longo e magro esqueleto dobrar como que num giro de patinador sem ajuda de gelo ou patins. Com a ajuda do brilho e da luz de roupas prateadas, ele parece mudar sua estrutura molecular naturalmente, fazer todos os ângulos robóticos em um segundo e curvas onduladas no outro. Tão firme é o corpo que seus olhos ficam freqüentemente fechados e seu rosto dirigido para cima como para uma musa invisível. O peito magro se ergue. Ele bate, rebola e grita. Ele sabe fazer a transição dos bastidores para o palco.

Em casa, em sua sala, ele dança até cair. Michael diz que as sessões de dança dos domingos são também uma maneira eficaz de acalmar seu vício pelo palco quando não está em turnê. Algumas vezes, nesses períodos, outro performer o tira da platéia. E durante a longa, longa viagem de sua poltrona ao palco, os dois "Michaels" vêm à tona.
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Re: Michael Jackson: a vida no reino mágico - Revista Rolling Stone 1983

Mensagem por Butterflies em Sab Jan 17, 2009 11:05 am

"Eu sento lá e digo: 'Por favor, não me escolha, sou muito tímido'", diz Jackson. "Mas uma vez que levanto, eu me controlo. Estar no palco é mágico. Não existe nada como aquilo. Você sente a energia de todos que estão lá fora. Você a sente por seu corpo inteiro. Quando as luzes tocam em você, tocam completamente, eu juro."

Ele está sorrindo agora, sentado ereto, tentando explicar pureza ao mundano.

"Quando tudo acaba, eu não quero ir. Eu poderia ficar lá para sempre. O mesmo acontece quando faço um filme. O que é maravilhoso em se fazer um filme é que você pode se transformar numa outra pessoa. Eu amo esquecer. E muitas vezes, você esquece completamente. É como piloto automático. Quero dizer - caramba!"

Durante as tomadas de The Wiz, ele ficou tão afeiçoado ao seu personagem de Espantalho, que a equipe tinha que arrancá-lo do set e de fora de seu figurino. Ele estava em Oz, e não ficava muito entusiasmado ao deixá-la para um quarto de hotel.

"Era aquilo que eu amava em fazer E.T. Eu estava de fato lá. No dia seguinte, eu sentia muita falta dele. Eu queria voltar para aquela posição em que me encontrava antes na floresta. Eu queria estar lá."

Ele está ainda na mesa de sua sala de jantar de seu condomínio. Mas, apesar da tensão visível, ele está firme. E aviva-se com a pergunta sobre seus animais. Ele diz que conversa com sua criação todos os dias."'Eu tenho dois gamos. Mr. Tibbs parece com um carneiro; ele tem os chifres. Tenho um lindo lhama. Seu nome é Louie." Ele também possui pássaros exóticos, como araras, cacatuas e uma ema gigante.

"Fique bem aqui", ele diz, "e eu lhe mostrarei uma coisa." Ele subiu a escada para seu quarto em dois degraus de cada vez. Embora eu saiba que somos as únicas pessoas no apartamento, eu o ouço conversando.

"Ah, você estava dormindo? Desculpe-me..."

Segundos depois, uma jibóia de dois metros e meio foi colocada sobre a mesa da sala de jantar. Ela está se movendo em minha direção numa velocidade assustadora.

"Este é Muscles. E eu o treinei para comer entrevistadores..."

Muscles, tendo alcançado o gravador de fita e sacudido sua língua desdenhosamente, continua a se mover na direção da fonte mais próxima de sangue quente. Michael fortemente pega o reptil quando seu focinho arrebitado bate meu punho. "De verdade", ele insiste, "Muscles é bem doce. É uma absoluta tolice essas estórias de cobras comerem gente. Além do mais, Muscles nem mesmo está com fome; ele adorou seu rato vivo semanal há alguns dias atrás. A presença de um estranho provavelmente deve tê-lo deixado um pouquinho nervoso." Enrolado ao redor do tronco de seu dono, sua força elástica deixara o antebraço de Michael com um vívido relevo de veias tensas. Para demonstrar o peso da cobra, Michael a coloca num corrimão de oito centímetros de largura, onde ela permanecerá, imóvel, pela próxima hora aproximadamente.

"As cobras são muito mal-compreendidas", ele diz. "Cobras", eu sugiro, "devem ser as mais antigas vítimas da imprensa marrom." Michael bate na mesa e gargalha. "Imprensa marrom. Não é verdade, Muscles?" A cobra levanta a cabeça momentaneamente, e então ele a coloca de volta ao corrimão. Nós três estamos um pouco mais relaxados.

"Sabe o que também amo?", Michael diz voluntariamente. "Manequins."

Sim, ele quis dizer o tipo de manequim que você vê usando mini biquínis nas vitrines das lojas de Beverly Hills. Quando sua casa nova estiver terminada, ele diz que terá um quarto com nenhuma mobília, apenas uma mesa e um grupo de bonecos de loja.

"Acho que quero dar-lhes vida. Gosto de imaginar que estou conversando com eles. E sabe o que acho que é? É, acho que vou dizer. Eu penso que estou na companhia de amigos que nunca tive. Eu provavelmente tenho dois amigos. E só tenho eles. Sendo um artista, você não pode dizer quem é seu amigo. As pessoas vêem você de uma maneira tão diferente. Como um astro, não como um vizinho."

Ele faz uma pausa, fitando as estátuas lá em baixo, na sala de estar.

Tudo isso não é para dizer que Michael não tem amigos. Pelo contrário, pessoas clamam para ser seu amigo. E este é o exato problema: com números inacreditáveis de pessoas batendo em seu portão, faz-se necessário classificar e categorizar. Michael nuca teve um amigo de escola. Ou um amigo de diversão. Ou uma namorada firme. Os dois misteriosos amigos que ele mencionou são seus primeiros amigos civis. O restante...

"Eu conheço as pessoas no show business."

Primeiramente é Diana Ross, com quem ele compartilha seus "segredos mais profundos e obscuros" e problemas. Porém, mesmo quando eles estão sozinhos juntos, o mundo deles é limitado. E existe Quincy Jones, "que eu penso ser maravilhoso. Mas para sair da área do show business, para ser como qualquer outra pessoa..."

Para esquecer. Para sair do caráter de artista.

"Eu e Liza, digo. Hoje, eu a consideraria uma grande amiga, mas uma amiga de show business. E nós sentamos lá conversando sobre tal filme, e ela me conta sobre Judy Garland. E então ela diz: 'Mostre-me aquilo que você fez no ensaio.' "Ele simula um movimento de dança. "E eu digo: 'Mostre-me o seu.' Nós estamos totalmente interessados com a performance do outro."

Este Michael não parece bizarro, ou inaceitável. É que quando a fama decide tudo, as celebridades simplesmente querem se dar bem com as coisas, não importa o que aconteça. Diana Ross marchou corajosamente em uma sapataria de Manhattan com suas três filhas e eu as tive provando sapatos de corrida, apesar da multidão de 200 que se reuniram na calçada. Michael, que tem sido um garoto numa bolha desde a idade da razão, acharia aquilo insuportável. Ele vai a apenas um restaurante de L.A., um lugar de comida saudável onde os donos o conhecem. Em compras, Michael evita isso tendo uma secretária ou assistente para escolher roupas para ele. "Você não tem paz numa loja. Se eles não sabem seu nome, eles conhecem sua voz. E você não pode se esconder."

Ele não faria queixas do amor. Mas às vezes ele se irrita.

"Ser atacado machuca. Você se sente como um espaguete entre milhares de mãos. Eles simplesmente rasgam você e puxam seu cabelo. E você sente que a qualquer momento irá se partir."

Sendo assim, Michael deve viajar com o sigilo velado de um paxá de uma filha estimada. Qualquer turismo é feito por detrás de sombras, vidro fumê de limosine e a sarja escura de um guarda-costas. Até mesmo num quarto de hotel, ele ouve mulheres gritarem e correrem como ratos na parede.

"Garotas no saguão, subindo as escadas... Você ouve os guardas tirando-as dos elevadores. Mas você fica em seu quarto e escreve uma canção. E quando você se cansa disso, conversa consigo mesmo. E deixa isso tudo sair no palco. É assim que é."

Sem argumentos - isto não é natural. Mas e aqueles manequins de loja? Não seria sinistro acordar no meio da noite com todos aqueles sorrisos de poliestireno?

"Oh, eu os darei nomes. Como as estátuas que você vê ali embaixo." Ele aponta para o grupo da sala de estar. "Eles têm nomes. Eu sinto como se eles os soubessem. Eu vou lá e converso com eles."

"Um ritmo incansável está sacudindo seu pé, e o recorte de jornal há muito tempo fora destruído. Michael é apológico, explicando que ele não consegue ficar sentado quieto por tanto tempo. Num impulso, ele decide nos levar de carro até a casa em construção. Embora seus pais tenham-no forçado a aprender há dois anos, Michael raramente dirige. Quando o faz, recusa-se a andar por auto-estradas, levando horas rodeando para evitá-las. Ele aprendeu o caminho de apenas umas poucas áreas "seguras" - para as casa dos irmãos, para o restaurante de comida natural e para o Kingdom Hall.

Primeiro, Muscles deve ser preso. "Ele é realmente manso", Michael diz ao desenrolar a serpente do corrimão. "Gostaria que você o segurasse antes de ir."

Isto não soou como uma brincadeira, e Michael não forçaria uma decisão. Mas medo de entrevistadores pode ser simplesmente tão profundo quanto medo de cobras, e ao consentir em falar, disseram a Michael o mesmo que ele me dizia agora: "Confie em em mim. Ele não machucará você."

Concordamos. Muscles mexe-se. Sua língua está seca. Ele só faz cócegas. Bloqueie o medo primitivo e pense que isso poderia ser o bigode de um gatinho. "Você realmente acredita", diz Michael, "com o poder da razão, que este animal não ferirá você, certo? Mas existe esse medo, construído no mundo, pelo que as pessoas dizem, que fazem você assustar-se assim."

Tendo educadamente feito seu objetivo, Michael e Muscles desaparecem escada acima.

"OI, MICHAEL." Algumas mensagens de garotas estão rabiscadas na pintura de um símbolo de segurança do portão de ferro de sua casa. Há uma grade, cachorros e guardas, mas garotas ainda irão demorar-se no lado de fora, em carros e arbustos.

Ao conduzir o tour pela casa de dois andares em estilo Tudor, fica claro que o cômodo onde ele dorme é quase monacal comparado àqueles que ele designou para seus prazeres e àqueles reservados para suas irmãs Janet e La Toya, as quais estudaram cada detalhe de suas suítes revestidas com papéis de parede. "Garotas são exigentes", ele explica, caminhando sobre uma serra elétrica em seu quarto. "Eu não ligo. Eu quero salas para dançar e colocar meus livros."

Os cômodos que Michael inspeciona mais cuidadosamente são aqueles destinados à recreação. "Estou colocando todas essas coisas aqui", ele diz, "assim eu nunca terei que ir lá fora." As "coisas" incluem uma sala de cinema com dois projetores profissionais e uma caixa acústica gigante. E mais uma sala de ensaio, outra para videogames e outra com uma tela grande. Além disso, há um grande gabinete no pátio do quintal, chamado de Quarto Pirata. Não será tão decorado quanto povoado. Mais manequins. Porém, esta coleção falará. Michael tem consultado um técnico da Disney que projetou as imagens audio-animadas para a atração da Disneylândia "Piratas do Caribe". Se tudo ocorrer bem, lá ele instalará vários piratas carrancudos, meretrizes e marujos. "Não haverá nenhum brinquedo", Michael diz, "mas haverá um tiroteio de piratas, canhões. Eles irão apenas gritar uns com os outros e eu terei as luzes, os sons, tudo."

Os Piratas são uns de suas atrações favoritas no Magic Kingdom. E a Disneylândia é um dos poucos lugares públicos de que ele não consegue viver longe. Algumas vezes Michael pára numa loja de mágica e compra uma daquelas máscaras Groucho - óculos falsos com nariz preso. Mas é melhor quando os assistentes levam-no por portas do fundo e túneis. É suicídio atravessar a Corte do Castelo da Bela Adormecida à luz do dia. "Eu tentei na noite passada, mas estava fechada", ele diz com certa incredulidade. "Foi o mesmo no Knott's Berry Farm."

Se você vive num parque de diversões, geralmente não tem que se preocupar com as coisas. Michael mesmo já cantou: "A vida não é tão má se você vivê-la loucamente."

Quando voltamos ao condomínio, Michael vê que um ensaio de The Girl Is Mine foi entregue. É negócio. Ele deve checar antes de lançá-la, ele explica ao seguir para ouvi-la no som do gabinete de trabalho. Antes que o álbum seja finalizado, ele está apertando botões de telefone. Entre ligações para contadores e administradores, ele diz que faz todas as suas próprias decisões, até a última lantejoula de suas roupas de palco - as únicas roupas com que ele se preocupa. Ele diz que pode ser um entrevistador inexorável quando vai escolher direção, músicos e promotores de shows. Ele avalia suas performances com o rigor de um investigador, questionando seus irmãos, amigos artistas e até repórteres para observações. Embora acredite verdadeiramente que seu talento vem de Deus, ele está conscientemente a par de seu valor no mercado aberto. Ele nunca é agressivo ou arrogante, mas realmente gosta de respeito. Não pergunte-o, por exemplo, há quanto tempo ele está numa empresa particular do show business. "Pergunte-me", ele corrige, "há quanto tempo ela está comigo."

Aqueles que têm trabalhado com ele não duvidam de sua capacidade. Até mesmo aqueles que o tem como astro infantil. "Ele tem controle total", diz Spielberg. "Às vezes ele parece ser para as outras pessoas uma espécie de vacilante à margem da decadência, mas há uma grande consciência premeditada por trás de tudo que ele faz. Ele é muito esperto em relação à sua carreira e às escolhas que faz. Eu acho que ele é definitivamente um homem de duas personalidades."

Quando Michael estava procurando por um produtor para seu álbum solo, Quincy Jones ficou feliz por ter notícia dele. Jones conheceu Michael numa casta especial. Algumas coisas já o destacavam, ele diz. Primeiro houve a cerimônia da Academy Awards em que Jones assistiu ao Michael de doze anos de idade interpretar uma trilha sonora romântica para um roedor fascista (Ben) com um equilíbrio espantoso. Anos mais tarde, enquanto trabalhava com ele na trilha sonora de The Wiz, Jones diz, "Eu vi outro lado. Ao vê-lo no contexto de ator, vi muitas coisas sobre ele como cantor que ressoava como sinos. Vi uma profundidade que nunca esteve aparente, e uma entrega. Vi que Michael estava crescendo."

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Re: Michael Jackson: a vida no reino mágico - Revista Rolling Stone 1983

Mensagem por Butterflies em Sab Jan 17, 2009 11:10 am

No estúdio, Jones descobriu que seu profissionalismo tinha amadurecido. Na verdade, o faro de Michael para as coisas é tão bom que Jones começou a chamá-lo de Smelly. Felizmente, quando rumores incorporados recearam a parceria improvável demais, Smelly manteve-se firme e pôs um ouvido voltado aos seus próprios ritmos especiais. De fato, as faixas mais memoráveis de Off The Wall são melodias dançantes compostas por Jackson. Working Day And Night com todos os seus murmúrios à parte e hábil pontuação, poderia ter sido escrita apenas por um dançarino. Don't Stop 'Til You Get Enough, o single mais vendido do álbum, segue aquele mesmo intercâmbio atraente entre retenção e abandono. A canção começa com Michael falando num murmúrio baixo sobre cordas rápidas: "You know, I was wonderin'... you know the force, it's got a lot of power, make me feel like a... make me feel like..." Ooooooh". Um felino irrompe na batida monstruosa, com cordas arrematantes e um sexy e catártico grito. A introdução é dez segundos de tensão pop perfeita. O dance boogie é a saudação do lançamento. O arranjo - alto, cordas explosivas e vocais sobre um ritmo dominante e estrondoso - é a assinatura de Michael. Smelly, o duende mal-cheiroso.

Funciona. Uma criatura como Michael é o perfeito híbrido pop para a década de 80. As fanzines não se assustam com letras obscenas e pêlo no peito, e o público das danças de bairro pode requebrar e deslizar junto às faixas grudentas. Thriller é elétrico o bastante para incluir cantos africanos e um espetacular trabalho macho-rock de guitarra de Eddie Van Halen. Está sendo agora chamado de pop-soul por aqueles dos grupos de marketing. Michael diz que ele não se importa como querem chamar. Apenas como tudo começou é ainda um mistério para ele - como é o próprio processo criativo.

"Eu acordo de sonhos e penso: 'Uau, vou passar isto para o papel'", ele conta. "Tudo é estranho. Você ouve as palavras, tudo está lá na sua frente. E você diz para si mesmo: 'Desculpe, mas eu não escrevi isto. Já estava lá.' É por isso que detesto ter os créditos pelas canções que escrevo. Eu sinto que em algum lugar, em algum ponto, elas já foram criadas e eu sou apenas aquele que lhes dá à luz. Realmente acredito nisso. Amo o que faço. Estou feliz com o que faço. É escapismo."

Novamente, aquela palavra. Mas Michael está certo. Não existe melhor definição para o bom e bem intencionado pop americano. Poucos entendem isso melhor do que Diana Ross, a adolescente de Tamla que transformou-se em uma recente diva pop. Sua aproximação com Michael começou quando ela conheceu os Jacksons.

"Não, eu não os descobri", ela diz, contrariando o mito. O diretor da Motown, Berry Gordy, já havia os encontrado; ela simplesmente apresentou-lhes no seu especial de televisão em 1971. "Houve uma identificação entre Michael e eu", ela diz. "Eu era mais velha, e ele meio que me idolatrava, e queria cantar como eu."

Ela tem o prazer de ver Michael criar sua própria personalidade. Não obstante, ela deseja que ele cresça ainda mais. Ela disse que teve que ser firme e forçá-lo a ficar em seu papel como produtor de Muscles. Ele queria que eles fizessem juntos. Ela insistiu para ele fazer por si só.

"Ele passa muito tempo, tempo demais, sozinho. Eu tento distraí-lo. Aluguei um barco e levei Michael e meus filhos num cruzeiro. Michael tem muitas pessoas ao seu redor, mas ele tem muito medo. Não sei o porquê. Acho que vem desde cedo."

Os amigos de Michael do showbusiness, muitos deles mulheres sem intenção particularmente materna, fazem o possível para incentivá-lo a entrar no mundo, e mantê-lo confortável. Quando ele está em Manhattan, Ross o impulsiona a ir ao teatro e a clubes, e contra-oferta com quietos fins de semana em sua casa de Connecticut. Em bilhetes e ligações, Katharine Hepburn tem o encorajado a atuar.

Michael tem gravado muitos desses conselhos em cadernos e em fita. Visitar Jane Fonda - a quem ele conhece desde que se encontraram numa festa em Hollywood há poucos anos atrás - no cenário de On Golden Pond em New Hampshire, provou ser um intensivo curso impactante. Numa versão modelo de suas cenas com o meio-neto no filme, Henry Fonda levou o amigo rockstar de sua filha ao lago e mostrou-lhe como pescar. Eles se sentaram num quebra-mar por horas, conversando sobre truta e teatro. Na noite em que Fonda faleceu, Michael passou o anoitecer com Shirlee, viúva de Fonda, e seus filhos Jane e Peter. Ele diz que eles se sentaram por perto, rindo e chorando e assistindo aos noticiários. A naturalidade com que Michael foi recebido em sua família não surpreendeu Jane Fonda. Michael e seu pai deram-se bem naturalmente, ela conta, porque eles eram muito parecidos.

"Papai também era dolorosamente constrangido e tímido em vida", ela diz, "e ele realmente sentia-se confortável apenas quando estava atrás da máscara de um personagem. Ele conseguia se liberar quando estava sendo outra pessoa. Isto é muito como Michael. "Em algumas maneiras", ela continua, "Michael lembra-me de alguém que anda ferido. Ele é uma pessoa extremamente frágil. Acho que o simples fato dele viver, fazer contato com as pessoas, é duro o bastante, quanto mais preocupar-se com as necessidades do mundo."

"Eu lembro de um dia estar dirigindo com ele e dizer: 'Nossa, Michael, eu queria encontrar um filme que eu pudesse produzir para você.' E rapidamente eu soube qual: 'Eu sei o que você tem que fazer. Peter Pan.' Os olhos dele se encheram d'água e ele falou ferozmente: 'Por que você disse isso?' E eu disse: 'Vejo que você é Peter Pan.' E ele começou a chorar e dizer: 'Sabe, as paredes do meu quarto estão cheias de pôsteres de Peter Pan. Li tudo que Barrie [autor de Peter Pan] escreveu. Eu me identifico totalmente com Peter Pan, o garoto perdido da Terra do Nunca."

Ao ouvir que Francis Coppola poderia estar fazendo uma versão em filme, Fonda sugeriu-lhe que ele deveria falar com Michael Jackson. "Oh, eu posso vê-lo", ele diz, "levando as crianças perdidas a um mundo de mágica e fantasia."

No livro, aquele mundo de fantasia é encontrado indo-se à "segunda estrela à direita, seguindo em frente até de manhã" - uma rota não menos estranha, Fonda observa, do que a própria jornada de Michael desde Indiana.

"De Gary", ela diz, "direto para Berrie."

"Todas as crianças, exceto uma, cresceram". Esta é a primeira frase do livro favorito de Michael, e se você perguntar a Katherine Jackson se ela acha isso similar ao que aconteceu na sua prole de nove, ela vai rir e dizer que sim, com seu quinto filho.

Cinco filhos - Maureen, Tito, Jackie, Jermaine e Marlon - são casados e constituíram famílias. La Toya é uma jovem mulher muito independente. Aos treze anos de idade, Janet estava estrelando como uma calma bobona de gueto no seriado de TV Good Times. Agora ela tem um próprio hit single, "Young Love", e está no seriado Diff'rent Strokes. Seu irmão mais novo, Randy, já vive por conta própria aos vinte. Michael tem a certeza de que morreria se fizesse isso.

"La Toya uma vez disse-me que ela pensa que eu super-protejo todos eles", diz a Sra. Jackson. "Mas dentro das circunstâncias, realmente não acho."

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Re: Michael Jackson: a vida no reino mágico - Revista Rolling Stone 1983

Mensagem por Butterflies em Sab Jan 17, 2009 11:10 am

O casamento levou-a do leste de Indiana, no limite com Chicago, para a fria cidade industrial de Gary. Uma família crescente havia forçado Joe Jackson a sair dos Falcons, um grupo de R&B que ele havia formado com seus dois irmãos. O guitarrista foi para uma metalúrgica como operador de guindaste. O orçamento da família não tinha muitas folgas para brinquedos, mas havia um velho saxofone, um tamborim, alguns bongôs e fragmentos de agradáveis canções da infância de Katherine. As que ela conseguia se lembrar, ensinava aos filhos. "Eram apenas cantigas", ela diz, "como 'Cotton Fields' e 'You Are My Sunshine'."

O efeito do som harmônico cresceu com a família. Jackie, Jermaine e Tito começaram a cantar juntos, com Tito na guitarra e Jermaine no contrabaixo. E Marlon subiu a bordo. O bebê Michael, que gostava de bater nos bongôs, surpreendeu sua mãe um dia quando ela o ouviu imitando o vocal de Jermaine num claro falsete de criança. "Acho que temos um outro cantor líder", ela contou ao seu marido. Os irmãos concordaram.

"Ele era tão energético que aos cinco anos de idade já era como um líder", diz o irmão mais velho, Jackie, aos 31 anos. "Nós vimos isso. Então dissemos: 'Ei, Michael, você será o cara no comando.' O público aceitou. Naquele tempo, ele fazia aquelas coisas de James Brown, sabe. A velocidade é que era a coisa. Se ele visse alguém fazer algo, conseguia fazê-lo na mesma hora."

"Chegava a ser espantoso", diz sua mãe. "Ele era tão pequeno. Não saía e brincava muito. Então, para falar a verdade, não sei onde ele aprendia aquilo. Ele simplesmente sabia."

Aos sete anos, Michael era um monstro da dança, elaborando a coreografia para o grupo inteiro. Shows locais foram dando caminho para iniciantes em halls maiores em cidades distantes. Joe Jackson passou fins de semana e noites como chofer, agente e técnico. Ele ensinou Michael a como agir no palco e segurar um microfone. Michael não lembra de seu pai fazendo brincadeiras; os garotos sempre sabiam que era sempre trabalho. As regras eram rigorosas. A qualidade tinha que ser mantida, mesmo com cinco shows por noite, ou então o transgressor seria tirado da estrada. Quando a Motown telefonou, Joe levou os garotos para Detroit, e Katherine ficou em Gary com as outras crianças. Ela diz que nunca se preocupou com seus filhos até que foi a um show e ouviu os gritos da audiência. "Toda vez que eu ia a um show ficava preocupada, porque às vezes as garotas subiam ao palco e eu as vias puxando Michael. Ele era tão pequeno, e elas tão grandes."

E houve alguns sérios incidentes, também. Um deles arrepiante e bizarro, causado por uma jovem mulher num instinto mental. Então Katherine tem por conta própria falado com algumas dessas garotas frenéticas e persistentes. "O que é mais maluco", ela diz, "é que elas fazem isso em nome do amor. São tantas", ela diz, " e você não tem idéia do que realmente se passa em suas mentes. É por isso que será tão difícil para meu filho arrumar uma esposa."

Michael está ciente, se não conformado, da impossibilidade dessa incumbência. Ele quer ter filhos no futuro, mas diz que provavelmente adotará. Por enquanto, ele tem apenas que entrar na casa de um dos irmãos e instantaneamente estará coberto de sobrinhos e sobrinhas. De qualquer modo, ele diz que se dá melhor com crianças do que com adultos: "Elas não usam máscaras."

Crianças e animais podem vasculhar as reservas mais privadas de Michael. É o fantasma do showbiz que faz seu próprio amadurecimento ser tão público e difícil. Ele enfrenta com paciência e bom humor os rumores padronizados de operações de troca de sexo e acusações de paternidade de mulheres que ele nunca viu antes.

Mas claramente estas o afetaram. "Billie Jean", de Thriller, é uma negação veemente de paternidade ("o garoto não é meu filho"). Na realidade, não há ninguém de especial. Michael diz que não tem pressa para entrar em relações românticas. "É como eu disse a você sobre encontrar amigos", ele diz. "Neste caso, é ainda pior. Com tantas garotas a sua volta, como eu saberei?"

"Estou aqui só para ver um amigo". Michael está educadamente tentando esquivar-se de uma curiosa jovem adornada com o mais avançado equipamento de vídeo. Ela bloqueia o corredor e segue para o amontoado de vestuários abaixo do Fórum de L.A.

"Eu posso dizer aos meus telespectadores que Michael Jackson é um fã do Queen?". "Eu sou fã de Freddie Mercury", ele diz, passando secretamente atrás dela por uma longa sala lotada com os membros da banda Queen, esposas, acompanhantes e amigos. Um homem robusto com visual de segurança está conduzindo Freddie Mercury, o líder da banda, a uma série de exercícios de alongamento que irão propelir seus músculos fatigados até o show final da recente turnê americana do grupo. A banda está alegre. Michael está tímido, parado quietamente na porta até Freddie percebê-lo e saltar em sua direção com um abraço.

Freddie convidou Michael. Ele havia lhe telefonado a semana inteira, principalmente para falar sobre a possibilidade de trabalharem juntos. Eles haviam decidido tentar no novo álbum dos Jackson. Apesar de não serem nada parecidos - Freddie comemorou um recente aniversário balançando-se despido num lustre - os dois são amigos desde que Michael ouviu o material que o Queen havia gravado para The Game e insistiu que o single tinha que ser "Another One Bites The Dust".

"Agora ouça-me, certo, Freddie?"
"Certo, mano."

O segurança acena. Freddie aponta seu cigarro para as travessas de fruta, frango e doce. "Você e seus amigos sintam-se à vontade."

Nosso acompanhante, um guarda-costas de aparência doce e de punho cerrado, está consultando a segurança sobre locais de assento. Havia garotas espreitando do lado de fora da sala quando Michael correu para a limousine, garotas observando atentamente através do vidro colorido da porta, que estava trancada. Isto foi muito desconcertante para o convidado de Michael, que estava esperando no carro.

Ele é um amigo legítimo, um dos civis, tão normal que passa despercebido pelos olhos experientes dos observadores de celebridades. Ele nunca esteve num show de rock, nem nunca viu Michael se apresentar. Ele diz que espera vê-lo, mas eles só saem juntos. Às vezes, seu irmão mais novo até vai junto. Na maioria das vezes, eles conversam "apenas velhas coisas normais", diz o amigo. Para Michael, é mais outro tipo de mágica.

No momento, porém, o assunto é show business como de costume. Fofoca, para ser específico. Michael está questionando um dançarino que ele conhece sobre as recentes crises de um superstar em decadência. Michael quer saber qual é o problema. O dançarino responde com mímicas, colocando um dedo ao lado do nariz. Michael acena de cabeça, e traduz para seu amigo: "Drogas. Cocaína."

Michael admite que ele procura saber de tais fofocas, e ouve repetidas vezes como os famosos deixam escapar suas necessidades de fuga. "Escapismo", ele diz. "Eu entendo perfeitamente."

Mas vício é outra coisa. "Eu sempre procuro saber o que faz os grandes artistas caíram em pedaços", ele diz. "Sempre quero descobrir, porque simplesmente não posso acreditar que são sempre as mesmas coisas." De longe, seus próprios vícios - o palco, dançar, desenhos animados - estão livres de toxinas.

Algo está fazendo efeito em Michael agora, mas não é nada químico. Ele está zunindo como um abelhão preso numa tigela de geléia. "É a sala onde estamos", ele explica. Várias vezes ele se esticou, pulou e exercitou suas cordas vocais bem aqui, ficou maluco aqui, agitando-se, tremendo como um cavalo de raça manso ao ser introduzido em sua roupa de lantejoulas. "Não agüento isso", ele grita honestamente. "Eu não consigo ficar quieto."

Exatamente quando ele ia ser controlado para seu próprio bem, Randy Jackson voa à sala, contendo seu irmão em um abraço apertado, ajudando-o a dissipar um pouco da energia com uma luta curta de puxões. Esta não é a mesma criatura que tentava esconder-se atrás de uma batata-frita.

Agora Michael está chateando o segurança, perguntando-lhe a cada minuto pela hora, até que o homem compassivamente bate sua mão grande no ombro de seu protegido e diz: "Vamos lá."

Mercury e companhia já começaram a se mover pelo hall estreito, e antes que alguém possa pegá-lo, Michael segue traçando seus rastros, guiando-se pelo rugido baixo da multidão lá fora, saltando para pegar um relance de Freddie, que está erguendo o punho cerrado e prestes a pegar a escada do palco.

"Ooooh, Freddie está extasiado", diz Michael. "Eu o invejo agora. Você não sabe o quanto."

O restante da banda desce as escadas, e a cortina negra do palco se fecha. Michael vira-se e se deixa guiar pela escuridão do estádio.





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Re: Michael Jackson: a vida no reino mágico - Revista Rolling Stone 1983

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